domingo, 19 de janeiro de 2014

I'Ve.


        moldáveis  cores, linhas de caneta diferente. Bocas, aromas, sorrisos. Não o qual penso, leve com seu único desenho que viram formas para as mais diversas horas, cantos, entre as canções  nunca cantadas  por mim. Apenas ditas ou lidas e até mesmo lembradas na divagação dessa minha velha memória. Esse seu  juntar de lábios que bambeiam o jeito de andar e estremecem meu corpo. Essa nuvem que veio pra esconder o sol, não o meu. Deixou só nos rastros as pontas de claridade,  quase igual  aquela que encontro em seus olhos. Naquele olhar  branco e pequeno com as cores mudando se tornando grande onde se recitam desejos lê-se mentes. Entendo o silêncio de instantes, me faz procurar as palavras ao pé do ouvido, me deixa cair em sua nuca e me levando devagar, deslizando, quase parando em seu pescoço ao cheiro seu. Mais do que perfume,  uma marca do seu eu. Me desmonta e remonta em seu colo. Torna aqui e faz meu corpo irrequieto.
         No brando da porta do quarto onde ganham cores, os sons deslizando entre paredes, as taças se tocam na maior gentiliza onde são deixadas sob o chão gelado. Sobre olhares e corpos quentes o lençol caí bagunçado e suas mentes também, se perdem uma na outra.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Digas que sabe


Somos certos.
A parte do incompleto,
Completamente certos
Nesse incerto.
Amargo é o vento
Que trazes com ele o tempo
Dia e noite, noite e dia
Sem você, sem meu canto
Refúgio amoroso.
Me acha que eu te acho.
Faz dessa dor incolor, indolor.
Repousa ao meu lado
No quente sendo frio, frio de ter que ir.
Durma fazendo o tempo que temos todo que queremos.

Agora.
Manhã de todos os dias.
Onde for, onde estiver, estou indo.
Rumos dispostos a se encontrar, te encontrar.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Geist.


     Horas,  nas  horas  que deixam  de passar  aqui  ou longe, essa distância enche  os olhos e  encurta meu peito, seja ela dois passos de ti ou várias quadras do barulho de uma voz que ecoa  em meu ouvido.  Sabe, esses dias  passei em alguma rua, segui o vento como se fosse o balançar de seus cabelos. Mas quem sabe amanhã eu não acabe achando as ruas certas ou o caminho pra casa. Posso acabar esbarrando em todas aquelas mulheres para quais  contei todas mentiras e gastei as que cabiam em meu bolso. Até minha carteira escondia mentiras, mentiras, vivendo sobre elas e corpos. Corpos completamente comuns e nus. De Todas nada vale, vale uma camisa ali e um par de sapatos batidos de tanto andar pra te procurar  no meio da noite gritando e caindo no meio da sujeira na rua, na cama, não minha. Nem pouco sua, dela(s) que inexistem. Gostos  e prazeres nunca provados e lágrimas  de dores com olhares paralelos ao nada, sem aquele ângulo simétrico ao seu. O pouco que me satisfaz além da nova garrafa ficando vazia e cheia de tudo. Agora eu danço no escuro, fecho meus olhos e tento me perder na luz cheio de sombras até não sobrar luz e me ponho a dormir na cama vazia sem bagunçar os lençóis. Desses sonhos quem vem me dizer apavorado com um nó maior do que eu falo, sinto ou até mesmo mastigo.  As batidas já não cabem no peito de tão forte sobre mágoas. O pobre vivente já não  fica bem, o Homem que não é igual, mas é só um homem que saí na noite contando mentiras igual essas.
   De tudo que conto sobre os dez contos apenas dez mentiras que me sobraram junto com um par de invenções, das quais guardei pra passar o dia e tentar mudar de nome sobre o que não penso.
  Quem sabe? A verdade. Eu, Ela. Saciando as palavras.