segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Agora.


     O soluço anda me incomodando mais  do que o normal nesse dia, hoje para ser mais exato.  Me pergunto todas razões de acontecer,  de ver essas vozes  indo e voltando ainda mais fortes. Vozes que vem da parede,  de fora ou de dentro e que continuam aqui. Fortes e fracas, me fazendo  ser esse pedaço de papel molhado; simples e sem nada pra  te oferecer. Sem ao menos  ter  algo novo  além  de toda uma divagação  de uns três pontos, de uma parada  depois do ponto. Queria  caber no teu paragrafo, ser eu nesse começo e fim, em todas as  vírgulas vestidas com nome(s).
      Sei  que ultimamente nem a minha atenção eu conquisto. Nada além de algumas buzinas por atravessar no sinal errado,  algumas músicas vazias. E uma semana de noites quentes sem você, quentes no suor entre minha camisa preferida e minha nova mala, nada. Sem você. É isso que tento enfrentar, minha mala vazia cheia de folhas ainda mais vazias, mas isso pode ser facilmente completo pelas vozes noturnas que me fazem companhia. Isso me  faz  lembrar que quero dar motivos  pra caber  nesse teu par de reticências e ser acomodado  num dos três pontos, mas com muitos motivos para cada um deles existir. Isso sim seria bom, é bom. É um pedaço da compreensão dos tempos. É aquele pingo no 'i'  que você esquecer de colocar, ou aquela parte onde esquece o que ia falar. É aquele sentido no meio do(s) desejo(s). SIM! É querer entrar no teu vestido, ver teu cabelo bagunçado, te ver nua, sensível, entrar pelo portão da frente naquele dia chuvoso e frio, te ter. É algo em que encaixo nem que seja em meus sonhos. Sem calçadas cinzas dessa vez, sem pessoas vazias passando ao meu lado. Sem ser mais um. Um num mundo, no mundo, na cidade vizinha, no muro do vizinho.
       É sim querer te calar com um beijo. É querer viver na tua letra, nas suas palavras. Ser um pedaço do rumo nas entrelinhas. É ser mais que um ponto numa noite escura com uma cama vazia. É querer ir batendo de porta em porta da mesma maneira que o coração bate. É querer ser melhor do que eu posso ser, do ele, eles ou qualquer um que seja. É aprender até onde posso ir, é querer não cair e que se for pra cair, que caia em seu colo. Com seu sorriso, com tua voz se alongando até meus lábios, é procurar as partes perdidas minhas em ti, é pra querer muito mais, é pra despertar o som do vazio. É tudo, isso é um pedaço do o meu tudo pode ser.
      Se for pra ser o gelo no seu copo que eu derreta na sua boca, que caia sob teu corpo molhado. Que faça parte de ti por uns milésimos de segundos, que transborde pelo seu olho e escorra em todas suas curvas.

      É isso que me acalma nessas noites ruins de se pensar. Me achar, em você distantemente. É cair nas linhas do que eu quero, no meio do que sonho. É afastar as dores, os vazios que só cabem dentro de mim. Que só doem comigo. É saber que nunca perdi teu nome dentro da minha alma, cabeça, corpo. E que isso faz com que passe todas as ruas vazias, cinzas, buzinas. É querer ser toda sua acentuação nas palavras escritas e pontuadas. É ser pontualmente algo que você tenha mesmo no mais escuro pensamento. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

De ontem ao Hoje.


Te achar, no meio ou no fundo daquele olhar, no toque em seu ombro. Nos versos que dizes, que contas, que inspiram o brilho desses olhares ingênuos, desprovido de experiência quando se trata de ti. Cheio de ingenuidade quando chega até você, direito ou indireto, no meio de um simples virar de cabeças, de um leve olhar até o chão ao mais fino e claro fio de cabelo seu. Ver a sua face com aquele  sorriso  que não se esconde mais, que não teme mais  em aparecer, que se mostra  da melhor maneira possível.
       Cada pedaço,  pedaço do que eu tive e não consegui demonstrar  realmente o que sinto, mas no meio desse meu eu tolo, às vezes mais perdido dentro de mim em meio  aos sentimentos todos, querendo te contar de tudo um pouco dez vezes seguidas, até na maneira que eu atravessei o sinal.  Sabe, eu gosto me perder e afundar nas tuas palavras, nas meias palavras,  no teu toque de mão; como segura minha mão.
        Ainda prefiro os dias  frios, um  filme qualquer em meados  de uma tarde e meia indo pra nova noite de um dia daquele mês onde começa o frio, junho, como quero sentir o seu calor, calor apenas seu e ter uma coberta apenas para cobrir não só os corpos mas também o nosso calor. Ler, decifrar e modelar, criar, citar você. Esperar julho passar no  meio do seus braços,   achar agosto em seu cheiro, marcar data pra desmarcar  o tempo.  Olha sua meia-calça preferida ficando gasta e desfiada das minhas tentativas não tão bem sucedidas de tirá-la, ouvindo seus risos com toques de prazer, sua voz ficando ainda mais calma no meio do olhar que se encolhe entre nossos lábios se tocando.  Esquecer  alguns erros, perder outros na ponta da cama, secando as suas feridas. Ver o vento passar e nele  jogar lágrimas cheias de solidão.
          O som da  porta batendo e trazendo com ela o eco dos seus passos indo embora, e o meu copo quebrando. Não sei se foi o copo que pegou meus pedaços ou se eu juntei os cacos do copo, mas,  ainda prefiro o som da porta  batendo ao ver você chegar. Vendo o sol indo se deitar com algumas nuvens pra passar mais do que uma noite regada aos finos toques. Entre quem sou, o que eu quero é você. Acordar vento as folhas caindo, caindo em um abraço seu, com um beijo seu, em seu corpo coberto pelo meu entre os lençóis.

Em meio dos meus pensamentos eu te descubro ainda mais, penso sem querer pensar, faço do pensar ser você.