segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Morte e vida Severina

O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra

João Cabral de Melo neto

São quantas vidas e mortes deste modo, tão anônimas e sofridas que se passam aos nossos olhos a cada dia? Não importa o numeral, talvez seja egoísmo e conforto dizer que muito pouco poderiamos por estas fazer.
Bom de qualquer forma, olharíamos um retrato desta poesia com um nordestino de aparência fraca ao meio de alguma vegetação fraca. E traduzindo para o nosso contexto seria uma imagem como a de um mendigo sem identidade física e própria, ou algum adicto que vaga por ruas em sua fissura interminável, ou até mesmo um simples catador de papel que se torna invisível.
Porém esta vida vulgar, vaga e sem esperança poder ser mais dramática se levarmos a contextualização ao extremo, que tal mais um trabalhador ou mesmo um estudante que todo dia de estresse um pouco morre, suas contas à custo mantém quitadas, e que não importa a quem diga e a referencia que use, em um mar humano, dificilmente se encontrará.
Nesta nossa vida como podemos fazer para que não seja assim tão sem um quê. Não que precisemos que todos saibam quem somos, mas como não ser tão vulgar, como fazer para que nossa vida não seja severina?

domingo, 30 de outubro de 2011

Domingo de noitinha



Ahhh, existe algum outro misto de depressão e esperança tão claro como domingo de noitinha?
Assim mesmo, com frio, assim com chuva, assim sozinho no quarto , assim com uma semana inteirinha que só nós sabemos e não sabemos o que virá, temos certeza que vira e não virá quem esperamos, mesmo assim tão inseguro é promissor, o tempo nos garantiu o saber de que não podemos planejar tanto, a ponto que nada que nos planejaram dê certo, mas mesmo assim vamos imergir, agora nesta musica bem tranquila e nesta semana em uma viagem sem volta. Curta ela, pode ser bem melhor que pensamos que poderia ser, mas só se de cara pensarmos que pode ser bom, muito bom.
Então imerja em cada coisa e momento que puder. Faça seu mundo vir aos seus olhos sem medo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Meu Eu Favorito (001/???)



Hoje começa a série sobre O Meu Eu Favorito, espero que gostem, viagem, sugiram, comentem. Será um voo sem pista de pouso definida, mas com pelo menos o ideal de curtir-lo.


Assim foi, assim é, assim será, Cândido garoto dono de uma timidez criminalmente vulgar.
Ele será visto aqui mais vezes, passeando, em cada rosto em cada gesto e em cada memória...


Desde nunca Cândido diante seus olhos houvera visto tanta coisa de uma só vez, ele tinha só dez, e mal podia ouvir de onde vinha cada som. Aquele céu de nuvens laranjas e fundo azul pálido não podiam se encaixar pior ao chão cinza sujo de óleo, borracha e vidas vagas. Vivido apenas de seu cantinho aquilo era demais para ele, então, só precisava de calma, para com ele mesmo tentar inventar alguma história que fizesse tudo aquilo fazer algum sentido, mas de vez em quando isto fugia de suas mãos.
Depois desta explosão de informações, algum sinal de uma possível tranquilidade apareceu, um toque morno em seus ombros, das mãos de uma mulher , que com alguma preocupação na voz dizia 'vamos filho', assim, antes que pudesse ser dita mais alguma coisa seus passinhos rápidos e curtos se apressavam para acompanha-la.
Foi feito todo o ritual que antecede mais uma noite, a qual sempre fora sinônimo de calmaria, porém não mais, era estranho e inseguro, mesmo de cortinas fechadas havia luz, mesmo de janela fechada havia barulho de coisas que ao menos sabia o nome. Entre seu medo e a sua incerteza não havia espaço para mais nada. Ah, quanta angústia...
Sem nenhum aviso em tom de melodia como era costume, foi tão seco aquele acordar de um sono de olhos molhados, mesmo assim não tinha opção seu nome era chamado, em um som que não dava o direito de hesitar a intenção.
Era seu primeiro nascer de dia lá, 'lá se sabe onde', sem o direito de nega-lo, mesmo que intimidado, aos poucos perceberia que devia mergulhar de cabeça para não se afogar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Filosofando


Hoje, um dia que ,especialmente, me foi muito bom.
Independente disto estive pensando comigo sobre os caminhos e origens de alguém querer ler meu blog. Então se quero que as pessoas leia meu blog tenho que motiva-las à lê-lo, mas como? Sim existem mil maneiras, algumas delas eu tenho em mente, eu só preciso me dedicar e ver se algum possível talento que foi conferido a minha pessoa se exterioriza... A primeira ideia, mais relevante, seria uma história em série a principio que pretendo que seja semanal(em breve primeiro capitulo). Já a segunda ideia seria postar coisas sobre psicologia, no sentido tanto informativo de atividades disponíveis tanto aos estudantes quanto ao publico em geral, também seria interessante a postagem de textos mesmo que especulativos sobre meus estudos. Estas coisas. E sempre que tiverem alguma sugestão eu vou adorar recebe-la

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fim do dia



Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer

Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Um cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia



Que simbólico, não?
Que fim de dia é este? o fim de vida de cada um que não há como se recusar e muito menos lamentar?
É realmente "um cara que anda tem que chegar a algum lugar", mas para onde andar? se não souber para onde você pode se cansar.
"O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender", estuda a vida durante toda a vida e nem assim vai chegar perto de terminar...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Idéias de uma tarde vazia




Aquela tarde vazia, seja sábado, domingo, segunda, sol, chuva, calor, frio, ânimo, desânimo, tédio, sofá, cama, TV, PC, mil coisas para fazer sem nada a fazer.
Não importa, é uma tarde vazia, não tem perdão, não tem justificativa, e o pior de tudo não tem volta, assim mesmo trágico e dramático, ai que então um telefonema pode mudar tudo, um telefonema que não viria, um telefonema não esperado, que nem em seus mais longínquos devaneios surgiriam como ao menos possibilidade, mas como é que ele pode fazer que tanto tempo em vão seja compensado? Ligue para alguém, faça alguma tarde vazia valer a pena, saia, corra, brinque, pule, grite, sussurre, olhe, sinta, cheire, faça VIVER.

Boa semana meus caros!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tão meus... Tão seus...



Os ventos que as vezes tiram algo que amamos, são os mesmos ventos que nos trazem algo que aprendemos a amar... Mas um dia me disseram que às vezes os ventos erram a direção...

Eis que descobrimos que não controlamos estas coisas, nos foge ao alcance, mas quanta angústia. Precisamos de tudo isto?
É como tentar segurar água com as mãos, por melhor que seja nisto, irá escorrer entre os dedos, sem que ela lhe pergunte, antes mesmo que você permita. Então me faz um favor? Enquanto esta água estiver em suas mãos saiba bem que não depende só de você para que ela fique ali, mas independente disto dê valor para esta água que aí ora lhe contempla com sua 'visita', o próximo punhado pode não ser que nem o ultimo, mesmo assim não tenha medo ninguém foge disto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Há tempos


Haja saudade, por minha parte.
Larguei já faz mais de um ano, enfim se o primeiro passo é metade do caminho andado mesmo veremos. Sem promessas sociais, apenas internas, espero completa-la.
Contudo todo este tempo foi de muita vida, muitas mudanças, e fiz-me conhecer pessoas, ah quantas delas... Conhecer as que já conhecia, conhecer as que vieram, conhecer as que foram de um modo que as mudanças de ares proporcionaram.
Posso dizer que existem as que gostamos mais e as que gostamos um pouco menos, e as que não gostamos definitivamente, mas além disto, há pessoas que:
Gritam; cochicham; silenciam; dançam; brigam; brincam; jogam bola; se arrumam; cantam; compreendem; sofrem; sorriem; comem; fazem dieta; simplesmente não se importam; se atrasam; choram; organizam; empinam o nariz; empinam tudo; tagarelam; estudam; amam; além de tudo vivem e te fazem ter vontade de viver.
Lembra de cada uma delas ?