quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Grow Up With Me

Isabele,

Vamos correr nos campos e temer o escuro juntos.
Cair do balanço, queimar coisas especiais,
e brincar lá fora sob os dias de chuva.

Vamos comer mal.
Observar adultos bebendo vinho e rir da tolice deles.
Sentar no banco de trás do carro,
fazendo contato visual com estranhos que passam,
deixando-os desconfortáveis.

Sem ligar.
Sem xingar.
Sem pecar.

Vamos recuperar nossos superpoderes perdidos,
aqueles que tínhamos e se foram com os dentes de leite.
A habilidade de não temer o constrangimento,
de entrar em pânico no porão escuro,
ainda certos de que há algo lá embaixo.
vamos nos afastar da borda da cama,
forçando nossos corpos mais perto.

Vamos sentar em público com sorvete espalhado nos rostos,
mostrando a língua para as pessoas.
Vamos chorar.
Vamos nadar.
Vamos tudo.
Não acharemos graça quando alguém tropeçar.
Música clássica é entediante.
Poesia nos confunde;
nada é o que realmente quer dizer
A não ser: 🙋🏻‍♀️❤️VOCÊ.
Peças são longas, cansativas e sérias,
repletas de horas que poderíamos gastar em seus braços,
ralando os joelhos no cimento da vida.

Vamos ouvir histórias e perder nossa inocência.
Aprender sobre a vida ao seu lado,
morte e moralidade,
gentileza e arte,
perdendo, assim, nossos corações infantis.
Mas pelo menos faremos isso juntos,
nunca à parte.

Cresça comigo.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Sutilmente


 Isabele, pergunta : quando eu sinto o teu cheiro e o coração fica quentinho é condicionamento ou memória afetiva? 
E é assim que começo a te escrever; sentindo o teu cheiro e com o coração quentinho, é assim que quero ficar, e em caso de dúvida eu pergunto pra ti qual a diferença de condicionamento e memória afetiva, no calor dos teus braços. 
Sabe, quando começamos a conversar con
fesso que não sabia o que responder ou o que esperar da nossa conversa, mas no final das contas perdi o jeito  sem jeito e com o um sorriso daqueles que você tenta esconder mas todo mundo ao redor vê. 
Te escrevo sobre o que sinto por você.

Sentir
verbo

1. Transitivo direto
ter a sensação de; perceber por meio dos sentidos
2. Intransitivo
ter a capacidade de percepção, consciência, sensibilidade (física ou moral)

Sentimento
substantivo masculino

1. ato ou efeito de sentir(-se)
2. aptidão para sentir, disposição para se comover, se impressionar, perceber e apreciar algo.

Amor
substantivo masculino
1. forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações 


"O coração tem razões que a própria razão desconhece", essa é uma das frases que mais gosto e carrego comigo, uma das poucas que dou sentido. Sentido esse que tem teu nome Isabele, talvez você lembre de alguma aula avulsa.
Tudo que venho sentindo por ti e venho aprendendo a demonstrar, 
Eu discordo da tradução sobre o que é amor, ser apenas a afeição por outra pessoa ou simplesmente o desejo sexual é algo MUITO raso.
    Vou contar a definição de amor no que sinto por você:
É sentir meu coração ficando inquieto quando você tá perto, mesmo ao seu lado ele não para de demonstrar em meu corpo, seja com o brilho do olhar quando te vejo, o calor quando seguro tuas mãos e sinto teu cheiro, a maneira calma e reconfortante em ouvir tua voz, da vontade de não ir embora, de querer ficar em teus braços conversando bobagens, de ouvir tuas risadas e perceber que que  quando você acha algo engraçado tu coloca as mãos no rosto e fecha os olhos quando ri. É contar TODA piada ruim que faço, é o desejo de ficar olhando teus olhos de jabuticaba, o desejo de ficar, a maneira do olhar, é ter você comigo, sentir a boca ficando seca e as borboletas no estômago sabendo que tá quase na hora de te ver, é me perder enquanto você canta uma música, entender que toda vez em que tô chegando você vem me encontrar, me beijar e dizer que sentiu minha falta,
É aprender com você, compreender cada gesto de carinho, me contar seus dias ruins e tua rotina, tuas aulas na faculdade e que tua prova foi um trabalho durante uma semana online... Mas Shhhhhh!!!  É segredo e ninguém pode saber!!!
    

Nesse pequeno pedaço do que sinto:

    Vamos mochilar por 20 países. Surfar no Havaí, perder o ar em La Paz, acampar na Patagônia, visitar a cidade perdida, vamos pegar um trem na estação king cross, andar de barco em Veneza. Ter um guru e algo para acreditar na Índia. Nos perder em Roma, e ir ao show de uma banda de rock fracassada em um bar encardido na Alemanha. Vamos plantar uma árvore, ter dois caminhos pra escolher e depois de tudo isso, acordar ao seu lado.

Faz do teu peito morada
Do meu corpo teus passos 
Da sua dor minhas feridas.
Faz do vento Silêncio;
Faz calor
Quero te ler com meu corpo.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Amor

Soneto 116

De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

W. Shakespeare

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
7-11-1915
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).
  - 87.
1ª publ. in “Poemas Inconjuntos”. In Athena, nº 5. Lisboa: Fev. 1925.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A realidade não precisa de mim...




Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?

A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim

Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?

A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim

É melhor ser alegre que ser
Triste
Alegria é a melhor coisa que
Existe
É assim como a luz no coração
Põe um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
O poder que tem um samba
Não, porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser tão triste
Não
Tão triste
Não
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba sim não é de nada
Um bom samba é uma forma de oração
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é preto demais no coração
No coração, no coração
No coração

Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
(Morreria contente porque ela era depois de amanhã)
Se eu soubesse que amanhã morria
E a primavera é depois de amanhã
(Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?)
Morreria contente porque ela era depois de amanhã
Se esse é seu tempo, quando havia ela de vir
senão no seu tempo?

A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade não precisa de mim
A realidade, não precisa de mim
A realidade não precisa de mim

domingo, 30 de outubro de 2016

Grande Albert

O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.

Albert Einstein.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Jules

Ezequiel 25:17. O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas injustiças dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o guardião de seu irmão e o salvador dos filhos perdidos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Delírio

'No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.' Manoel de Barros