quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tua arte


                             Agora em um começo distante, em toda forma das diferentes linhas cruzadas de um acaso ou de um pintor qualquer. Na forma de um rabisco torto, em palavras molhadas no papel manchado com tua letra ainda não vista. De tua forma desconhecida como um borrão em cores. Teus contos, teus gostos e desgostos ainda não contados e cantados. Cada pedaço de um desenho feito ao som da tua voz que me pego pensando como soa em meus ouvidos, em cada palavra dita até ao amanhecer em seu lado e sentindo o vento levando todas preocupações com suas dores.              Nos desejos e olhares não trocados, mas sim pensados. De saber qual é o reflexo que ele causa quando brilha, de uma nova forma ao sorriso me pego pensando como é o calor da tua mão, qual as cores de suas unhas. Até mesmo da maneira de como você divaga, canta ou lê em voz alta. De todos; eu não sei: quero saber. Aprender, conhecer.
             Aos meus sentidos tens curvas mais belas do que um quadro em suas molduras, nas melhores artes entre todos os sete corpos nus, quero te ver. Tê-la, em cada breve respiração dividida entre nossos pulmões que me enchem de você. És maior que qualquer obra literária em desejos e curiosidade. Faz com que me prenda nesse desconhecido de você, nesse ponto perdido no meio de uma noite com estrelas e com um breu ainda não visto, com contos e silêncios dividindo olhares, vozes e sussurros ao pé-do-ouvido com segredos não cabíveis em meras folhas brancas. Nesse meio da noite te mostrar meus desenhos, e em um deles ser você, ter você na forma mais real do que senhos. Nessa forma ilegível só você faz e tem todo meu sentido, nesse pequeno texto assim como teu nome és grande a forma de te descobrir, chamo teu nome sem medo do desconhecido em sombras. Tua forma cabe em versos, teu conhecer cabe em mim, assim te espero.


Antes que acabe, ainda sonho contigo e em contar cada pedaço em conversas.
                             
                                                                                                                                 Ann.

                

domingo, 7 de dezembro de 2014

Se foi, levou.


                                                                                                             Curitiba 07 de dezembro de 2014
                                                                                                             Para: você, sim, você.

       
348 dias, apenas cinco dias depois eu voltei, não aguentei ficar calado por mais dias ou semanas e quem sabe meses. Depois de tudo que começa a tomar forma por aqui, também se parece mais fácil mas se engana quem pensa que é. Exato ou preciso eu não sou, mas venho pra te contar um pedaço aqui e outra ali do que me fazem: não sei o que sou, fui.
           Vivi, vivi apurado pra saber o que acontecia contigo, com ela, com todas mas sem grande entusiasmo quanto a ti. Percebi que com o tempo talvez tenho sido apagado da tua rotina, quiça por quando te vi, e revivi. Talvez eu tenha vivido grande parte por ti, nem mesmo sabendo onde isso daria, deu no que deu. Se sim? Gostei.
           Voltei aos braços de outras amigavelmente e ouvi de tantas: você se esconde, não mostra tua face e brinca, tuas brincadeiras... Brinquei demais, foi bom sim. Perdi meus disfarces.
           Vivi com outras tudo que não pude dar, mas onde me afundei na raiva, nas consequências de quem queria fazer tudo e que não pode fazer nada, morreu em si mesmo e em suas expectativas, no seu meu melhor sendo o cego que onde tudo está certo e ao mesmo tempo: tudo desanda como um grande terremoto do outro lado do mundo, duas pontas incertas fazem com que nada dê certo, não agora. Nesses pedaços de vai e vem só venho pra te dizer o que fiz ao que não fiz, onde procuro partes de você em outras por mais errado que isso deve ser...
          Talvez hoje eu não esteja com a cabeça das melhores pra falar ou contar, quem sabe um dia queira conversar normalmente. Fica aqui se não meu último momento, um dos: Alemão é tedioso, prefiro francês e sempre preferi antes mesmo de te conhecer, tornei disso uma grande birra sem mesmo ter falado um A, a que carrego pelas ruas e que é o mesmo do teu nome. Pois bem, faço francês, me iludo em línguas e quem em algum dia por aí em alguém mais. Minha vez de ficar aqui em silêncio. Sob tudo isso que eu gostaria que não tivesse passando.