
De olhos grandes e tão pretos que a iris se confunde com a pupila, em panos impecavelmente descuidados, de unhas limpas, mas pés carcomidos, em um canto que o vento podia derrubar, sem super poderes.
Já era semana, mas para Cândido eram dias diferentes sem o por quê de sê-lo. Aquele dia de parque era apenas memória, mais viva do que tudo às suas mãos, era bom e ruim, sem poder definir. Com quantos dias isto pode se mudar? Nem com uma vida, aquele dia emanava mais do que se pode entender, por todos os pedaços de muito pouco de pouco muito, era segurança, que não se sabia quando podia tê-la novamente não era tão assim.
A muito custo as mãos de sua mãe, delicadas como outrora e sempre, tentavam divertir. Não como quem diz que é o que tem para hoje, mas sem muito ânimo, precisava de mais desafios.
As coisas começavam a ficar familiares, claro, não tinha muito o que entender, não muito mais do que 60M², estava na hora de mais.
Então mais pessoas, que batiam os olhos na mesma altura, lhe sorriam e chamavam mesmo sem saber seu nome. Elas corriam sem ligar para nenhum tropeço e nenhum ralado, sem entender nada era preciso de alguém que estivesse com ele, sim.
Marina, bem mais fina que ele, de olhos bem clarinhos, nariz arrebitado, sardinhas e cabelo preto, sem medo, ela iria estar com ele, como uma professora, como nunca. Ele se deixou, ele precisava, não podia evitar.
Então não pareceu um dia perdido.






