quinta-feira, 20 de março de 2014

Seus pontos

      Pra ser sincero voltei pelas letras do seu nome,  pelas palavras que te pertencem. Não tenho coragem de tirar o seu batom da minha boca e volto sozinho procurando o número da tua casa. Te quero assim em preto e branco, no azul das letras, na cor dos teus olhos, no jeito como tremo a mão em escrever teu nome, nos sonhos, na maior parte do dia onde te espero na batida do relógio; Pra ontem, mas isso só o amanhã pode trazer meus sentidos junto ao seus.
     Esse silêncio não combina com a cor dos teus olhos, não cabe na tua garganta. Nem nessa corda qual andamos. Os dias cinzas vão chegando novamente, e com eles um vento gelado que sopra o teu nome escrito nesse vazio. Já não tenho mais seus braços, sua voz e ligações compreendidas que raramente atendidas caíram no perder do que falar. De onde estiver dessa vez, pensando e repensando, mordendo os lábios.
     Digo que os desenhos perderam a graça pois já não posso pintar seu retrato, as notas o ritmo. Eu não me achei, continuo vagando pelas ruas novas e velhas, vendo os cartazes serem trocados e alguns velhos não vejo mais nos bares qual passo. Sento, tomo meia dose de vento envelhecido no passado e isso é mais do que o suficiente pra me tirar dali, volto acompanhado de incerteza(s). Descasos contados. Então, vem cá. Deixa eu apertar sua mão, ler algo errado e tropeçar nos passos de nossos pés. Deixa eu ver a tarde se tornar noite, os raios virarem pingos de chuva. Me conta o que nunca contou antes, me aponta pra algo que já viu, pro que não viu. Deixa a música acabar junto com nossas roupas, os copos quebrarem. Sei que és delicada, moça das minhas palavras, letras simples que perdem e ganham valor. Nesse esconder você é o que mais tem sentido. E por aqui, continuo juntando as linhas...
     Seu vestido afunda na imensidão do que não posso ver, nos olhos de quem tem as dores...vazios e feridas, as quais tento entender, enfim, compartilho de dores, não tantas, mas vários soluços, e vários dias passei imerso nessa profunda caixa de segredos que é minha cabeça.

Continuo aqui, perdido até...


       

   

      


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